Renovo-lhe a expressao de toda a minha consideracao.
Simao SOUINDOULA
Director da Rede Internacional Bantulink
C.P. 2313
Luanda
( Angola)
Tel.: 929 79 32 77
in " Jornal de Angola" , 07/12/2008
Hugo Chávez nomeia "angolano" em Angola Rota venezuelana da escravatura Simão Souindoula
O carismático Chefe de Estado da Venezuela acaba de designar o seu compatriota afro descendente, Jesus Garcia Alberto, como Encarregado de Negócios do seu país nas terras da Rainha e dos Reis Nzinga.
O novo diplomata, que já está instalado na capital angolana, é uma figura incontornável no desenvolvimento, nos últimos anos, dos estudos das comunidades melano - africanas nas Américas e Caraíbas.
Com efeito, Jesus e, antes de tudo, um dinâmico homem de cultura que encontrei, invariavelmente, em todas as grandes reuniões sobre a diáspora africana no além - Atlântico, da Universidade Lyndon Johnson em Austin, no Texas, a de Alcala de Henares, nos arredores de Madrid passando pela Universidade Católica de Santo Domingo, na antiga e histórica "Espanola".
Destacou-se, ao nível mundial, em duas notáveis produções, a realização do famoso documentário "Salto al Atlântico" e a notável obra " La Diaspora de los Kongos en las Americas y los Caribes".
Tendo apanhado bem a necessidade epistemológica do método comparativo defendida pelo Centro Internacional das Civilizações Bantu, o pesquisador niger não falhou a esta orientação.
Na impossibilidade de se deslocar em Angola, em guerra, e no complicado pais do falecido "Leopardo", o investigador afro venezuelano, que cresceu com os ritmos bantu, tais como o malembe, realizou, graças ao apoio da UNESCO, o seu sonho cultural efectuando duas missões de terreno na parte meridional do Congo da margem direita.
Similitudes
Trabalhou no seio das comunidades kongo setentrionais tais como nos loango e vili, nos punu, kamba, ndoondo e lari, nos arredores de Brazzaville. Apreendeu, aí, rudimentos do munukutuba ou kituba, o kikongo veicular.
O documentário apresenta, portanto, as similitudes de carácter linguístico e antropológico entre esses grupos e os "congos" de Barlovento, região do centro da Venezuela. Quanto ao livro, de 248 páginas, este ultrapassa, igualmente, a restrição monográfica e geográfica e aborda a recorrente presença "congo" nas resistências de natureza social e politica contra a opressão esclavagista, nas diferentes expressões religiosas, musicais e coreográficas, sobre toda a extensão do continente americano e do conjunto insular caribenho.
Assim, as análises apanham exemplos nas margens do Rio de la Plata, (Argentina e Uruguai), no Brasil, no Peru, na Colômbia, na Venezuela, no Panamá, em Porto Rico, na República Dominicana, no Haiti, na Jamaica, no Suriname, em Cuba, nas Honduras, na Nicarágua, no Belize, em São Vicente, na Martinica e em Guadalupe.
Na sua introdução, o autor recorda, bem a propósito, entre outros aspectos, as regiões de origem dos cativos e os distintos destinos escolhidos.
Abordando o papel dos congos no previsível fenómeno de insurreição esclavagista, o originário da antiga "Tierra de Gracia", cita o célebre quilombo de Palmares (1645 - 1695), que liderou o valente Nganga Zumbi, cuja ascendência suposta e a dos temíveis guerreiros yaka.
Confrarias
Indica, em seguida, em Santo Domingo, os movimentos liderados, dos séculos XVI ao XVIII, por Sebastian Lemba, Seypion, Maria e Tomas, todos Congo.
Na antiga "Nueva Grenada", o memorialista de Caracas cita, naturalmente, a vitoriosa rebelião dos congo-angolas de San Basílio de Palenque mas igualmente os territórios livres de Duanga (1694), Santa Cruz de Masinga (1703) e Samba - Palizada (1797). No Peru, os arquivos registaram, em 1610, acções insurreccionais fomentadas por Juan Garcia e Catalina, ambos Congo.
Porto Rico vivia um estado de revolta permanente. Em 1820, um dos líderes capturado e Juan de Nacion Congo. Em 1826, uma conspiração e descoberta na cidade de Ponce durante uma campanha açucareira, e, os principais incitadores são António e Pedro - os dois, naturalmente, Congo.
Cuba, a ilha mayombera, não escapou as conspirações encorajadas pelos Quisicuaba ou Quaba de los Quisi e Ganga Quisi, a frente de confrarias tais como as de Congo Musono, Congo -Luango e Congo-Muboma.
Em 1888, dois anos após, a abolição oficial do trabalho esclavagista no território insular, mas perante as manobras dilatórias da administração colonial, um projecto de rebelião e preparado, mas infelizmente, descoberto. Os principais instigadores são Julian, José Maria, Francisco, Gertrudis de Nacion e Marcelo, todos Congo.
Curiepe, primeira localidade livre de grilhetas da escravidão na Venezuela, foi fundada, no século XVIII, por lideres, dentre os quais António e Manuel Congo.
A comunidade "congo-loango" será, em 1789, no primeiro plano de uma tentativa de revolta na província de Caracas.
Habitando a parte sul da cidade de Coro, na região de Serrania, no Estado de Falcon, os Loango organizaram-se em milícias denominadas " A Companhia dos Loango". Provocaram, aí, em 1795, uma memorável insurreição.
Apresentando as componentes congo das práticas religiosas que se perpetuaram no Novo Mundo, Jesus Garcia identificou-as, entre outros cultos, persistentes, os da Regla Palo Congo, em Cuba, do Kumina ou Bongo, na Jamaica e no Vodou, no Haiti.
Baseando-se no testemunho do Tata Nganga cubano, José Herera, o autor aponta, para a Regla, entre outros factos, a forca da faísca (nsasi), os espíritos kengue, mama e tata mbumba, yuyumbila, o sangue menga e a Mãe da cerimónia mengua.
Quanto a presença dos ritos do "país da pantera "está confirmada pela existência de variantes designadas "Congo de la orilla del mar" e "Congo sabana".
O primeiro é constituído de espíritos, tais como kanga e kita. O investigador afro descendente recorda que as liturgias relativas ao Kumina são animadas pelos sacerdotes, chamados "miala". As suas variantes, aparentemente, etnónimas, são denominadas muyanji, munsundi e mumbaca.
Enfim, revela que no Suriname, e atestado a veneração do Ma Loango.
Etno - musicólogo reconhecido, o barloventense reconheceu o continuum das culturas do setentrião angolano através, entre outras expressões musicais e coreográficas a conga de Panamá, as famosas tradições de "Los Congos de Espiritu Santo" de Villamella, na República Dominicana, que foram declaradas pela UNESCO "Património Intangível da Humanidade".
Anotou a utilização, na sua própria terra natal, no quadro das Festas sincréticas de San Juan Congo, o tambor congo-mayor. Em Cuba, na região de Guayabo, o mesmo membranofono e utilizado nos festejos dos Congos Reales.
Confirmou que em Cartagena de Índias, na Colômbia, é exibida a dança Congo Grande. Na sua abordagem de factos contemporâneos, Jesus Garcia ilustra a influência da cultura do "Baixo Nzadi", com a extraordinária produção musical do cubano Arsénio Rodriguez, que reivindica, um século depois da abolição da escravatura na ilha, as suas raízes clánicas com a composição e "Yo so kanga".
Realça, também, na "Grand Plantacion", o grupo de Eddie Palmieri que uma das interpretações é "Mi Congo Yambumba". A versão original desta é um guanguanco do Conjunto Los Munequitos de Matanzas.
Enfim, sempre aí, destaca o imenso sucesso do grupo Irakere, bem intitulado, na língua conga de Cuba, muito próxima da matriz, " El tata, o kindiambo diambo".
A realização do documentário e a publicação do livro, que constituíram importantes contribuições para um melhor conhecimento das culturas bantu no Novo Mundo,
aumentaram o prestígio internacional do tenaz afro venezuelano. E, portanto, a justo título que o bolivariano Presidente Hugo Chavez, enviou Jesus Garcia Alberto para Luanda; constituindo, assim, mais um passo na pedra, na construção da sonhada ponte sobre o Atlântico.
Chucho, Bom Regresso à Mãe Pátria!
--- En date de : Sam 6.12.08, BABALORIXA HUGO DE OXALA <pae_hugo_oxala@...> a écrit :
De: BABALORIXA HUGO DE OXALA <pae_hugo_oxala@...> Objet: [invisamayombe] Vení y unite a DATA DE LA MAE OXUM EN QUILMES en RED UMBANDA PARAGUAY Y MERCOSUR!!!... À: "invisamayombe@..." <invisamayombe@...> Date: Samedi 6 Décembre 2008, 22h06
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