A ROTA CARIBENHA DA ESCRAVATURA
CULTURAS AFRO-CARIBENHAS AS CRENCAS NECROLÓGICAS BANTU PERPETUARAM-SE NA REPÚBLICA DOMINICANA É a esta conclusão que pode-se chegar depois da leitura da obra "Morir en Villa Mella. Ritos funerários afrodominicanos" de Carlos Hernández Soto. Reeditado, recentemente, pelo Centro de Investigação e de Acção Social para as Caraïbes, este livro confirma a componente bantu no quotidiano antropológica dás populações deste território gémeo de Haïti. Cobrindo 187 páginas, este estudo restitua o conjunto das etapas relativas as práticas funerárias em uso em Villa Mella, localidade situada a apenas uma dúzia de quilómetros, ao norte de Santo Domingo, a capital. Ritos de envergadura eminentemente social, as regras seguidas, perpetuaram-se e são ainda hoje aplicadas no quadro da confraria da Sabana do Espírito Santo, conhecida igualmente como "Hermanidade los Congos de Villa Mella". Sob uma metodologia bastante transparente, o autor apresenta, na explicação histórica das origens das referidas cerimonias, os grandes momentos do povoamento negro desta região, zona de cultura intensiva, desde o século 16, da inevitável cana de açúcar. Cultura empregadora de mão-de-obra abundante, o seu desenvolvimento necessitou, portanto, a instalação de importantes contingentes de trabalhadores, essencialmente de origem africana, e cujo as principais componentes étnicas foram minas, carabalies, mas também, e sobretudo congos e angolas. Segundo Hernández Soto, o número relativamente elevado de escravos vindos de África central provocou a emergência de um crioulo cujo a base lexical africana é maioritariamente bantu. Com efeito, esta é constituída de elementos vindos directamente do kimbundu e do kikongo. Esta herança se reflectirá nos vários aspectos da vida social e cultural dos camponeses da localidade. Nota, se assim, hoje o topónimo Haina de Engombé. O segundo substantivo desta expressão é visivelmente bantu, proveniente, com efeito, de ngombé, que significa boi. CARÁCTER HIDROGÓNICO
O substratum bantu marcará naturalmente o perfil das práticas de exéquias em Villa Mella com, nomeadamente, kalunga, cumba e bembo, que são ao mesmo tempo cantos e danças de processão, enterro e recordação. O conjunto dessas fases é animado pelos congueros, músicos tocadores, portanto, de congos, essencialmente tambores, os famosos congo-mayor e conguitos. Sublinhar-se-á a, este nível, kalunga (o mar) e os repertórios bembe yagua (literalmente cantos de água), cantos colectivas que confirmam o carácter hidrogónico das crenças ligadas a morte a Villa. Quanto as cerimónias de homenagem, elas são, segundo reporta o estudioso dominicano, pontuadas pelas sincréticas orações alabanzas (do bantu, pensamentos). Uma dessas rezas é o "pembué chamaliné" durante a qual os membros da "confraternidad" solicita a clemência divina para que o defunto possa chegar no kalunga (no além), em toda quietude. Estudo duma grande aplicação etnográfica, "Morir en Villa Mella" contém, deste facto, importantes elementos bantu, uns facilmente identificáveis, outros não. Com efeito, várias expressões antropológicas vindas da África central fusionaram, durante os últimos séculos, com as provenientes da Europa e as da base endógena caribe. Avalia-se rapidamente, a amplitude desta dificuldade ao exame da vintena de textos de cantos em crioulo que Soto transcreveu e inclui em anexo, . Com efeito, a compreensão completa e exacta deste repertório exige um verdadeiro trabalho de investigadores de várias quadrantes, afim de estabelecer o grau de influência bantu nos ritos e necrológicos na Republica Dominicana, como também, nas outras ilhas das Caraïbes tais como Cuba, Panama e a Jamaïca, que mantiveram entre elas, intensos intercâmbios humanos.
De: gregg hernandez <greggfixmx@...> |