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Endereco-lhe os meus melhores votos para o Ano Novo 2009.
Simao SOUINDOULA
Director da Rede Internacional Bantulink
C.P. 2313
Luanda
( Angola )
Tel.: 929 79 32 77
in "Jornal de Angola" , 21/12/2008
Rainha Nzinga Mbandi morreu há 345 anos Simão Souindoula
É a importante vertente que escolhemos analisar pela ocasião da passagem no dia 17 de Dezembro, data que marca a morte, em Santa Maria de Matamba - a tornada cristã - no ano de 1663, da "Dupla Soberana". Dia, surpreendemente, bem ordinário em Angola, apesar deste ter significado uma ruptura irreversível na evolução histórica de toda a parte ocidental da África central.
Tentaremos no quadro do presente exame, realçar os principais factos que provocaram o surgimento do mito da "Regina" do Ndongo e da Matamba, a sua gradual expansão na Europa e a perpetuação da tradição real que evoca esta "sacerdote" no além - Atlântico. Apresentaremos, em seguida, os domínios que fixaram, nessas regiões ultra marinas, o mito da monarca, a importância das múltiplas iniciativas tomadas à volta desta figura e apreciação sobre a consideração que esta deve merecer.
Educação patriótica e Marcial
A singular estampilhagem da forte personalidade da futura heroína começa, desde a tenra idade, com o seu posicionamento parental visivelmente patrilinear.
Parece estar sob o cuidado particular do pai, que é, natural e duplamente, "Ngola" e "Kiluanji", quer dizer, Líder Político e Chefe do Exército. A jovem, de forte corpulência física, será manifestamente marcada por uma educação muito patriótica e a adopção de uma conduta estritamente marcial. E inculcado a princesa, de temperamento já refractário, o espírito de bravura, o sentimento de honra, o sentido da diplomacia e da responsabilidade política e a intuição estratégica.
Esses traços de carácter serão perceptíveis durante toda a sua vida desta " Nzinga Mbandi" que significa no Oriente do nosso pais, curiosas homofonia e homografia, "Homem-mulher".
Com efeito, será necessário à futura e astuta Dona Anna de Sousa, todas essas características individuais para se impor junto dos seus irmãos, machistas convencidos, e demais familiares com espírito, naturalmente, conservador, cumprir as famosas duas missões diplomáticas, delicadas, efectuadas, corajosamente, e com brio, em 1622 e no ano seguinte, numa parte já ocupada do território do Ndongo, a muito de-sejada pela Coroa portuguesa, cidade - fortaleza de São Paulo de Loanda.
Parte da lenda da Embaixadora da ilha de Ndanji cristaliza-se a partir das referidas audiências, que decorreram num formato de conforto muito particular. Esses encontros, que envolveram as figuras dos Governadores da Colónia portuguesa, que ti-nham nem mais, nem menos, o título sintomático de Vice-Rei, cunharam definitivamente os espíritos na Colónia portuguesa e na metrópole sobre esta Princesa de ferro.
Marcaram igualmente as opiniões, o extraordinário domínio da língua portuguesa pela jovem diplomata vindo de Mbaka, se tivermos em conta o irrefragável testemunho do Padre italiano Cavazzi que confirma que a Regina " ...in idioma Portoghese nel quale era versatissima...". A apreciação sobre o seu elevado grau de instrução sobre a língua e a civilização portuguesas e a sua viva inteligência estabeleceu, definitivamente, a sua auréola.
Outros factos erigirão, ao nível internacional, a lenda da "Federadora", do proto - bantu sing- to attach, ligar.
Urbi e Orbi
Citaremos, para o essencial, a sua obrigada tomada do trono do Ndongo, em 1624, a sua clarividente leitura, em 1626 e dois depois, da correlação de forças militares com a cancrescente Colónia de Angola, a gestão diplomática inteligente desta realidade geopolítica, o recuo vital, em 1626 e no ano seguinte, para o hinterland e a sua conquista, inédita, na Historia de África, de um segundo território, a Matamba, em 1630, as oportunas coalizões politico-militares com os terríveis Jagas de Kasanje e os impacientes Kongo, engajando, nessas, a sua própria pessoa, a sua propícia aliança, de 1641 a 1648, com os Holandeses, inimigos hereditários dos Ibéricos, que ocuparam Loanda, de 1641 a 1648, a sua capacidade organizativa, a hábil deconversão e engenhosa reconversão à fé cristão, a permanente e esperta manobra de gerência da sua imagem de líder feroz e mulher fatal e o seu quase não casamento...Confessou, durante a
sua última unção, perante o já referido Padre capuchinho, Giovanni António Cavazzi de Montecuccolo, não ter encontrado na região, um homem digno de ser o seu esposo...
Acrescentaremos a isso tudo, a sua "anormal" longevidade de vida, em pleno século XVII, onde a esperança de vida, no mundo ronda os 30 anos; morreu aos 82 anos!
Aparentemente, só as metástases de um cancro da tiróide podiam derrubar a "Mu-lher-imbondeiro", nesta manha, triste, de 17 de Dezembro de 1663, em Santa Maria de Matamba, nos algures da nossa redentora actual província de Malanje. A conjugação destes factos, associados à sua singular longa resistência, de quase 40 anos, particularmente perigosa e agitada, fixou, irreversivelmente, urbi e orbi, a lenda literária, artística, histórica e antropológica da "Nzinga-Nzinga".
Na Literatura Ocidental
Além de várias relações e crónicas militares que sairão de "Angolla" e dos territórios vizinhos, e a preciosa "Istorica Descrizione d´ e tre Regni, Congo, Matamba e Angola" de Cavazzi, confessor da dupla "Regina", editada, in extremis, em Bolonha, na Itália, em 1687, que vai confirmar, no mundo, os factos da invulgar vida da terrível filha de Mbandi. A partir dai, vai se suceder uma
serie de obras literárias e científicas assim que de tentativas de reconstituições de pseudo-retratos da "Queen angolana".
A primeira construção literária sobre ela será o famoso romance "Zingha, Reine d´Angola. Histoire Africaine" do brilhante homem de letras francês Jean Louis Castilhon, publicada em 1769. Foi considerado como o primeiro romance de carácter africano da literatura ocidental. Notar-se-á que a última reedição deste livro, realizada em Bourges, França, em 1992, foi coordenada por dois especialistas das Ciências Literárias Medievais e Professores da Universidade de Nanterre, em Paris, Patrick Graille e Laurent Quillerie. Esta excelente remessa comporta notáveis explicações do contexto da época da publicação do romance e abundantes notas críticas e dezenas de iconografias raras sobre o Ndongo e a Matamba.
Esta obra do século XVIII, fundamental para a aprendizagem da história da heróica resistência conduzida pela Dupla "Raynha" a expansão da dominadora Colónia de Angola, ainda não tem, lamentavelmente, quinze anos depois da referida reedição, uma versão portuguesa.
O sucesso desta reconstituição romanceada da vida da "Senhora d´ Angola", que será traduzida em neerlandês, logo em 1775, suscitara outras iniciativas literárias, marcadas pela sua suposta aterrorizadora implacabilidade.
O francês Marquis de Sade (1740 - 1814) e o austríaco - alemão Leopold Ritter von Sacher - Masoch (1836 - 1896) cairão nas evidentes fábulas destiladas contra a filha de Nzinga Mbande e, sobretudo, nas suas próprias perversões.
A crítica literária forjará, definitivamente, a partir dos nomes dois escritores tresmalhados, os conceitos de sadismo e de masoquismo.
Reconstituição Histórica
O essencial dos trabalhos, nesta rubrica, sairá, em Paris, nomeadamente na "Histoire Universelle", publicada em 1765.
No século a seguir, em 1834, e a contribuição, da Duquesa de Abrantes "Zingha, Reine de Matamba et d´Angola" que será inserida na obra "Mulheres celebres de todos os países". Se assinalara, muito mas tarde, logo após a Trinitaria Insurreccional dos revoltados angolanos, a publicação pelo anti-salazarista Castro Soromenho, nas independentistas edições Presence Africaine na progressista capital francesa, " Portait : Jinga, Reine de Ngola et de Matamba".
E, o saudoso historiador da engajada Guine Conakry, Ibrahima Baba Kake, publicara, aí, mas, nas edições ABC, a encantadora "Anne Zingha, Reine d´ Angola".
Pseudo-Retratos
A lenda da "Ngola" reforçou-se, inexplicavelmente, no século XIX, na Europa ocidental, incrivelmente, mais de um século após a sua morte na longínqua Santa Maria de Matamba, localidade situada a meio percurso do rio Cambo, afluente do Cuango.
A ilustração desta extraordinária remanescência histórica será demonstrada pela composição pelo reputado gravurista francês Achille Deveria (1800 - 1857), Director do Departamento de gravuras da Biblioteca Nacional do Hexágono, de uma reconstituição da nossa "Dizonda". Ela terá, doravante, um rosto a partir da imaginação deste talentoso desenhador, - que o primeiro, no mundo, soube aplicar as cores as litografias. E a imagem que percorrera o mundo; reproduzida em milhares publicações de carácter histórica e cultural e em diversos suportes, tais como em quase todos os manuais escolares sobre a história africana. Achille Deveria, cujo original desta estampa se encontra na Biblioteca das Artes Decorativas da capital francesa, evitou restituir à Nzinga, a sua força física e a sua estatura marcial, ao contrário do nosso bem inspirado e saudoso General - Escultor Rui de Matos.
Privilegiou a restauração de uma bela mulher africana, espontaneamente tentadora, de acordo com o tenaz preconceito de mulher fatal que colou, terminantemente, a Rainha, na Europa.
Ginga afro-americana e singa afro-caribenha.
O conjunto dos feitos políticos, militares, diplomáticos e religiosos da meia - católica Ana de Sousa atravessara, logo no século XVII, o Atlântico pelos escravos ngolas, mundongos e matambas, convertidos, precipitadamente, a fé de cristã, nas costas de "Angole" e desembarcados, entre outras dezenas de portos nas Américas e Caraíbas, em Pernambuco ou na Espanola, hoje Haiti e República Dominicana.
Os cativos afro-brasileiros perpetuarão, necessariamente, - hoje ainda - a protecção espiritual das "Rainhas Gingas", e isso, em várias regiões do imenso Brasil, tal como no célebre município de Osório, no Estado do Rio Grande do Sul, com as cerimónias rituais consagradas à Nossa Senhora do Rosário.
O mito Ginga enraizou-se, igual e irreversivelmente, no folclore profano afro-brasileiro, facto ilustrado nas congadas, cortejos e bailes.
Outro exemplo de continuidade ultra marina da lenda da igualmente animista filha da discreta Guenguela - Cacombe, e a existência no espiritual e território haitiano, bem niger, de uma variante do temível vaudou, a de singa, numa dinâmica de sincretismo e de avigoramento ritual de raiz bantu-ewe-fong.
Este rito evoca, visivelmente, a indomável "Mwene" que acreditava nos ritos do seu NDongo natal e da sua Matamba, aparentada e adoptiva, e que os praticava assim como os dos aterrorizantes, vizinhos e utilizados guerreiros Jagas.
Citaremos, a titulo de exemplos, a digitalização e inserção no Web de vários documentos primários evocando a Regina, a inserção de um novo pseudo-retrato da Soberana no Museu afro-americano Du Sable de Chicago assim como a instalação de uma impressionante estátua no Museu de Jamestown, nos EUA, a defesa de teses de alto nível académico em diversos países e a publicação de centenas de artigos em reputadas revistas científicas, a organização de colóquios sobre vertentes poucas analisadas da Resistente, a produção, há dois anos, em Nairobi, pelo The Jomo Kenyatta Fondation da enérgica peça de teatro "Nzinga, The Warrior Queen", da autoria da britânica Elisabeth Orchardson, a escolha epónima, sobretudo na federação brasileira, do nome da "Dona de Angolla" por varias entidades culturais de raiz niger, intermináveis reproduções litográficas do pseudo-retrato da fascinante " Nzinga-Nzinga" de
Achille Deveria, etc.
E, podemos salientar, neste quadro, o conveniente pano, que retomou, mais uma vez, a estampa do desenhador francês, imprimido pelo Centro Internacional das Civilizações Bantu, nos Camarões, a nossa palestra pronunciada na Universidade Abdou Moumouni de Niamey, na República do Níger, cujo texto foi publicada, em Paris, na revista "Latitudes" sob o título" La Reine Nzinga. Un modele d´ intelligence politique".
A ancoragem internacional da figura da Queen se reflectiu, inevitavelmente, na transcrição do seu nome. As dezenas de variantes vão do português Jinga ao brasileiro Ginga, passando pelo germânico Xinga, o italiano Gingua e ao francês Zingha.
Em suma, a vida da nossa "Dizonda", uma das mulheres que marcou, indelevelmente, a evolução da África mercantilizada, tornando-se uma personagem de referência nas letras e artes assim que nas ciências humanas e sociais da Europa ocidental, logo no século XVIII; uma tradição mítica nas comunidades afro-americanas e afro-caribenhas e centro de interesse no quadro de centenas de projectos africanistas, no mundo inteiro, e símbolo de orgulho para milhões de africanos, constitui um verdadeiro património histórico da humanidade.
Conclusão
As grandes linhas de análise que acabamos de propor, atestam o notável aureolo internacional que teve a nossa Ngola.
Atirou, muito cedo, a atenção de homens de letras e cultura europeias e o espírito da sua forca de resistência foi solicitada pelos cativos saídos da esclavagista Colónia de Angola, nas minas de prata e plantações de açúcar no infernal hinterland brasileiro ou nas planícies de Santo Domingo. Esta figura histórica contínua, ainda a suscitar, ao nível mundial, várias iniciativas nos domínios da documentação arquivística, da museologia, da investigação científica e das produções culturais.
--- En date de : Ven 19.12.08, fernando <fernandodeimanja_ 2005@yahoo. com.ar> a écrit :
De: fernando <fernandodeimanja_ 2005@yahoo. com.ar> Objet: [invisamayombe] Vení y unite a DATA DE LA MAE OXUM EN QUILMES en RED UMBANDA PARAGUAY Y MERCOSUR!!!. .. À: "omar" <invisamayombe@ gruposyahoo. com.ar> Date: Vendredi 19 Décembre 2008, 2h21
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¡fernando te invitó al evento 'DATA DE LA MAE OXUM EN QUILMES' en RED UMBANDA PARAGUAY Y MERCOSUR!!!!
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