É uma carta longa, escrita pelo próprio Marcelo Borzino quando decidiu parar de voar ano passado. Mas, que segue como exemplo de vida para todos que são apaixonados pelo esporte. Ele sempre foi uma pessoa especial e deixou uma mensagem...Porfavor reflitam!!!
Vanessa Favilla
De: "Marcelo Borzino" <marceloborzino@ ...>
> Data: Tue, 29 Aug 2006 14:55:01 -0300
> Assunto: Resp.: Carta de despedida...
> Para: "Ivo Borges" <ivoaguiarborges@ ...>
>
> Caro Ivo (a msg segue com cópia para os demais para
> que fique um pouco
> mais clara minha atitude),
> a vida é mesmo cheia de surpresas. Quem diria que
> "ilustres"
> professores universitários como nós se dedicariam a
> este esporte tão
> peculiar, onde homens ficam "pendurados" por um pedeço
> de tecido a
> cruzar os céus? Ou que estes podem até chegar a um
> alto nível em
> acrobacia com seus brinquedos, a ponto de ganharem uma
> prova do
> campeão mundial, como aconteceu comigo no Acroandes de
> 2004?!
> Realmente o vôo de acrobacia foi para mim uma
> descoberta tardia, que
> fiz aos meus 29 anos de idade por puro acaso quando
> estava em Vitória/ES
> para montar uma filial de meu escritório de advocacia.
> Dá pra imaginar isso? Um cara com 29 anos de idade que
> acabara de
> fazer seu mestrado em Direito Tributário, professor da
> PUC e da
> Cândido Mendes, sócio de um escritório de advocacia
> especializado em
> Planejamento Fiscal e reestruturação societária, chefe
> de família
> responsável pelo sustento de 5 pessoas, começando a
> voar e se
> dedicando profissionalmente ao vôo acrobático? É
> bastante complicado
> meu caro...
> Até agora não sei como consegui manter meus empregos,
> meu
> relacionamento, minha saúde mental e ao mesmo tempo
> ter treinado o
> tanto que treinei para chegar ao nível que hoje tenho
> em acrobacia. É
> muita ruptura para uma estrutura profissional,
> familiar e pessoal
> construída arduamente ao logo de muitos anos de
> dedicação.
> Mas sou um cara que desconhece o conceito "não sou
> capaz disso"! Para
> mim, quanto maior o desafio, maior a satisfação de
> vencê-lo, tenha a
> natureza que tiver. Isso sempre foi assim em minha
> vida, onde aprendi
> a ser um campeão no esporte desde bem cedo. Depois
> entrou o Direito em
> minha vida e meu objetivo então foi inteiramente
> focado nisto. Já no
> primeiro ano de formado passei para a Procuradoria da
> Fazenda Nacional
> e nem bem entrei, saí! Saí para aceitar uma proposta
> de trabalho
> irrecusável num grande escritório de advocacia
> tributária. No mesmo
> ano passei também e 1o. lugar na prova para professor
> de Direito
> Tributário da Cândido Mendes e ganhei uma bolsa no seu
> Mestrado (para
> o qual também passei em primeiro lugar!). Foi aí que
> comecei minha
> vida acadêmica propriamente. Escrevi muitos artigos e
> dois livros (um
> que está há dois anos no prelo e um Curso de Direito
> Tributário que
> até hoje não revisei... culpa do vôo... ;). Logo em
> seguida larguei o
> escritório em que trabalhava (e onde ganhava muito
> bem, diga-se) e fui
> montar meu próprio "barraco", que hoje tem sede em
> Belo Horizonte e
> filiais no Rio, SP e Vitória. Isso tudo ocorreu em
> apenas 5 anos...
> quando então conheci o vôo.
> Neste momento realizei que não havia perdido a paixão
> pelo esporte,
> pela superação de meus limites, pela vitória e foi aí
> que a minha via
> crucis começou.
> Estabilizado financeiramente deleguei tudo para
> pessoas de minha
> confiança e comecei a voar de 4 a 5 dias por semana,
> sem contar os 3
> meses por ano que tirava para viajar ao exterior nas
> melhores épocas
> (para treinar). Isso sim fez toda a diferença em minha
> evolução como
> piloto de acrobacia.
> É claro que tenho consciência de que "levo jeito" pro
> negócio, mas se
> evoluí rapidamente foi porque estudei e treinei muito,
> mas muito
> mesmo.
> Só que a velocidade com que logrei evoluir cobrou seu
> preço e foi bem alto.
> Nos últimos 24 meses passei 8 meses de "molho" no
> "estaleiro".
> Primeiro fraturei a bacia num giro da morte mal feito
> e fiquei 2 meses
> deitado numa cama de hospital. A recuperação foi
> longa... Depois
> estourei dois ligamentos do meu tornozelo direito ao
> cair de
> reserva....
> Este ano faturei a coluna e fiquei 4 meses em
> recuperação... mal
> voltei a voar, me atirei numa decolagem kamikaze com
> uma vela de 16 m2
> (proj.) com vento de cauda e arborizei a uns 200
> metros abaixo da
> rampa... além disso, já foram 6 reservas em muito
> pouco tempo, sendo
> que dois deles joguei a menos de 200 metros de altura,
> pois estava
> treinando manobras baixo. Cara, o "anjo da guarda" tem
> trabalhado
> muito mesmo nos últimos tempos e eu sinto nitidamente
> que a coisa toda
> saiu do meu controle. Ou seja, o bom senso na prática
> e a exposição
> aos riscos inerentes ao esporte extrapolaram em muito
> qualquer limite
> de razoabilidade. Ponderando os valores que pautam
> hoje a minha vida
> não tenho dúvidas: o vôo acrobártico nas
> circunstâncias em que o
> pratico está oferecendo um nível de risco alto demais
> para os meus
> padrões. Isto é, sem ser profissional de acrobacia,
> com dedicação
> integral ao esporte, sinto-me como um "jogador" de
> roleta-russa. Seria
> questão de tempo para "tirar o número premiado"... as
> minhas
> estatísticas pessoais demonstram claramente isto.
> Além disso, sou muito intuitivo e sinto que esse é o
> caminho certo a
> seguir agora. Por outro lado, não sinto o menor prazer
> em simplesmente
> voar, o que é uma coisa muito séria, pois isso
> significa que estou
> voando pelo motivo errado, ou seja, pelo meu ego. E
> essa é a razão
> pela qual eu não vou somente deixar de fazer acro, mas
> sim parar de
> voar.
> Outros são os fatores que contribuíram para essa minha
> decisão, mas
> esses eu deixo de fora da argumentação, pois têm um
> foro extremamente
> íntimo, espiritual.
> Bem, daqui a algum tempo voltarei a mandar notícias de
> meus novos
> rumos aos amigos e não deixarei de manter o contato,
> pois o vôo foi
> para mim uma parte muito importante e feliz desta
> existência e não há
> porque renegá-lo ou esquecê-lo se tantos bons momentos
> ele me trouxe.
> É como a lembrança de um ente familiar querido que se
> foi. Lembraremos
> dele para sempre e agradeceremos por termos tido a
> oportunidade de
> desfrutar a sua presença nessa breve passagem por este
> mundo.
> Saudades ficarão, mas estarei sempre disposto a fazer
> uma viagem para
> reencontrar velhos companheiros de jornada...
> Abraços saudosos,
> Marcelo "22" Borzino.
Vanessa Favilla
De: "Marcelo Borzino" <marceloborzino@ ...>
> Data: Tue, 29 Aug 2006 14:55:01 -0300
> Assunto: Resp.: Carta de despedida...
> Para: "Ivo Borges" <ivoaguiarborges@ ...>
>
> Caro Ivo (a msg segue com cópia para os demais para
> que fique um pouco
> mais clara minha atitude),
> a vida é mesmo cheia de surpresas. Quem diria que
> "ilustres"
> professores universitários como nós se dedicariam a
> este esporte tão
> peculiar, onde homens ficam "pendurados" por um pedeço
> de tecido a
> cruzar os céus? Ou que estes podem até chegar a um
> alto nível em
> acrobacia com seus brinquedos, a ponto de ganharem uma
> prova do
> campeão mundial, como aconteceu comigo no Acroandes de
> 2004?!
> Realmente o vôo de acrobacia foi para mim uma
> descoberta tardia, que
> fiz aos meus 29 anos de idade por puro acaso quando
> estava em Vitória/ES
> para montar uma filial de meu escritório de advocacia.
> Dá pra imaginar isso? Um cara com 29 anos de idade que
> acabara de
> fazer seu mestrado em Direito Tributário, professor da
> PUC e da
> Cândido Mendes, sócio de um escritório de advocacia
> especializado em
> Planejamento Fiscal e reestruturação societária, chefe
> de família
> responsável pelo sustento de 5 pessoas, começando a
> voar e se
> dedicando profissionalmente ao vôo acrobático? É
> bastante complicado
> meu caro...
> Até agora não sei como consegui manter meus empregos,
> meu
> relacionamento, minha saúde mental e ao mesmo tempo
> ter treinado o
> tanto que treinei para chegar ao nível que hoje tenho
> em acrobacia. É
> muita ruptura para uma estrutura profissional,
> familiar e pessoal
> construída arduamente ao logo de muitos anos de
> dedicação.
> Mas sou um cara que desconhece o conceito "não sou
> capaz disso"! Para
> mim, quanto maior o desafio, maior a satisfação de
> vencê-lo, tenha a
> natureza que tiver. Isso sempre foi assim em minha
> vida, onde aprendi
> a ser um campeão no esporte desde bem cedo. Depois
> entrou o Direito em
> minha vida e meu objetivo então foi inteiramente
> focado nisto. Já no
> primeiro ano de formado passei para a Procuradoria da
> Fazenda Nacional
> e nem bem entrei, saí! Saí para aceitar uma proposta
> de trabalho
> irrecusável num grande escritório de advocacia
> tributária. No mesmo
> ano passei também e 1o. lugar na prova para professor
> de Direito
> Tributário da Cândido Mendes e ganhei uma bolsa no seu
> Mestrado (para
> o qual também passei em primeiro lugar!). Foi aí que
> comecei minha
> vida acadêmica propriamente. Escrevi muitos artigos e
> dois livros (um
> que está há dois anos no prelo e um Curso de Direito
> Tributário que
> até hoje não revisei... culpa do vôo... ;). Logo em
> seguida larguei o
> escritório em que trabalhava (e onde ganhava muito
> bem, diga-se) e fui
> montar meu próprio "barraco", que hoje tem sede em
> Belo Horizonte e
> filiais no Rio, SP e Vitória. Isso tudo ocorreu em
> apenas 5 anos...
> quando então conheci o vôo.
> Neste momento realizei que não havia perdido a paixão
> pelo esporte,
> pela superação de meus limites, pela vitória e foi aí
> que a minha via
> crucis começou.
> Estabilizado financeiramente deleguei tudo para
> pessoas de minha
> confiança e comecei a voar de 4 a 5 dias por semana,
> sem contar os 3
> meses por ano que tirava para viajar ao exterior nas
> melhores épocas
> (para treinar). Isso sim fez toda a diferença em minha
> evolução como
> piloto de acrobacia.
> É claro que tenho consciência de que "levo jeito" pro
> negócio, mas se
> evoluí rapidamente foi porque estudei e treinei muito,
> mas muito
> mesmo.
> Só que a velocidade com que logrei evoluir cobrou seu
> preço e foi bem alto.
> Nos últimos 24 meses passei 8 meses de "molho" no
> "estaleiro".
> Primeiro fraturei a bacia num giro da morte mal feito
> e fiquei 2 meses
> deitado numa cama de hospital. A recuperação foi
> longa... Depois
> estourei dois ligamentos do meu tornozelo direito ao
> cair de
> reserva....
> Este ano faturei a coluna e fiquei 4 meses em
> recuperação... mal
> voltei a voar, me atirei numa decolagem kamikaze com
> uma vela de 16 m2
> (proj.) com vento de cauda e arborizei a uns 200
> metros abaixo da
> rampa... além disso, já foram 6 reservas em muito
> pouco tempo, sendo
> que dois deles joguei a menos de 200 metros de altura,
> pois estava
> treinando manobras baixo. Cara, o "anjo da guarda" tem
> trabalhado
> muito mesmo nos últimos tempos e eu sinto nitidamente
> que a coisa toda
> saiu do meu controle. Ou seja, o bom senso na prática
> e a exposição
> aos riscos inerentes ao esporte extrapolaram em muito
> qualquer limite
> de razoabilidade. Ponderando os valores que pautam
> hoje a minha vida
> não tenho dúvidas: o vôo acrobártico nas
> circunstâncias em que o
> pratico está oferecendo um nível de risco alto demais
> para os meus
> padrões. Isto é, sem ser profissional de acrobacia,
> com dedicação
> integral ao esporte, sinto-me como um "jogador" de
> roleta-russa. Seria
> questão de tempo para "tirar o número premiado"... as
> minhas
> estatísticas pessoais demonstram claramente isto.
> Além disso, sou muito intuitivo e sinto que esse é o
> caminho certo a
> seguir agora. Por outro lado, não sinto o menor prazer
> em simplesmente
> voar, o que é uma coisa muito séria, pois isso
> significa que estou
> voando pelo motivo errado, ou seja, pelo meu ego. E
> essa é a razão
> pela qual eu não vou somente deixar de fazer acro, mas
> sim parar de
> voar.
> Outros são os fatores que contribuíram para essa minha
> decisão, mas
> esses eu deixo de fora da argumentação, pois têm um
> foro extremamente
> íntimo, espiritual.
> Bem, daqui a algum tempo voltarei a mandar notícias de
> meus novos
> rumos aos amigos e não deixarei de manter o contato,
> pois o vôo foi
> para mim uma parte muito importante e feliz desta
> existência e não há
> porque renegá-lo ou esquecê-lo se tantos bons momentos
> ele me trouxe.
> É como a lembrança de um ente familiar querido que se
> foi. Lembraremos
> dele para sempre e agradeceremos por termos tido a
> oportunidade de
> desfrutar a sua presença nessa breve passagem por este
> mundo.
> Saudades ficarão, mas estarei sempre disposto a fazer
> uma viagem para
> reencontrar velhos companheiros de jornada...
> Abraços saudosos,
> Marcelo "22" Borzino.
----- Mensagem original ----
De: Marcelo Alaniz <diosch@...>
Para: parapenteargentina@...
Enviadas: Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 19:39:03
Assunto: [ ((o]< ] accidente Marcelo Borzino
Marcelo Alaniz
(el acha)
Merlo - San Luis
El Mundial de Rugby 2007
Las últimas noticias en Yahoo! Deportes:
http://ar.sports. yahoo.com/ mundialderugby
De: Marcelo Alaniz <diosch@...>
Para: parapenteargentina@...
Enviadas: Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007 19:39:03
Assunto: [ ((o]< ] accidente Marcelo Borzino
con muchisima tristeza informo que hace unos dias murio Marcelo Borzino, al parecer haciendo infiniti cayo dentro de la vela a 300 mts. del agua y no pudo salir.
Un tipazo muy querido.
se lo va a extrañar muchisimo
Marcelo Alaniz
(el acha)
Merlo - San Luis
El Mundial de Rugby 2007
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http://ar.sports. yahoo.com/ mundialderugby
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