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47/06 - Petróleo: Um futuro incerto (Kjell Aleklett )

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    RGE 47/06 ... Petróleo: Um futuro incerto Kjell Aleklett [*] Quando nasci, em 1945, nenhuma das quatro pequenas granjas na minha aldeia sueca consumia
    Mensaje 1 de 1 , 27 abr 2006
      RGE 47/06
       

      Petróleo: Um futuro incerto

       Kjell Aleklett [*]
      Kjell Aleklett. Quando nasci, em 1945, nenhuma das quatro pequenas granjas na minha aldeia sueca consumia petróleo para qualquer coisa. Dez anos depois chegou a era do petróleo: substituímos o carvão por petróleo para a calefacção, meu pai comprou uma motocicleta e os tractores entraram em cena. Entre 1945 e 1970 a Suécia multiplicou o seu consumo de energia por cinco, ou seja, a cerca de 7% ao ano durante 25 anos. A era do petróleo transformou a Suécia de um país um tanto pobre no terceiro mais rico do mundo em rendimento per capita. Uns 90% do aumento consumo de energia provieram do petróleo. O petróleo barato enriqueceu a Suécia.

      Hoje a China é um país em vias de desenvolvimento, com 21% da população mundial. Consome 8% do petróleo mundial e pensa que será justo atingir os 21%, ou seja, 17,6 milhões de barris por dia (mb/d). Durante os últimos cinco anos o crescimento médio anual do PIB da China foi de 8,2% ao passo que o do consumo de petróleo foi de 8,4%. Podemos ver a mesma correlação entre o aumento do PIB e consumo de petróleo na China que a da Suécia há 50 anos. Se a economia chinesa crescer a 8% ao ano durante os próximos cinco anos podemos esperar que necessite de um aumento do consumo de petróleo de 3 milhões de barris por dia. De acordo com o professor Pang Xiongqi, da Universidade do Petróleo de Beijing, a produção chinesa será mantida nos níveis actuais até 2009 e logo começará a descer. Isto quer dizer que a China deverá importar o petróleo suplementar. Uma vez que a China já importa 3 milhões de barris por dia, terá que aumentar suas importações nuns 100% durante os próximos cinco anos. De onde sairá?

      Desde 2001, ano que foi fundada a Associação para o Estudo do Pico Petrolífero e do Gás Natural (ASPO) , tentamos demonstrar que será um problema abastecer o mundo com petróleo ilimitado enquanto cresce a procura. O ano de máxima produção, segundo a conferência de Uppsala de 2002, será 2010. Dois anos depois, na nossa reunião de Berlim, antecipámos a data para 2008, e hoje tendemos a fixá-la novamente em 2010 porque a produção da produção dos campos petrolíferas em águas profundas será maior do que a estimada inicialmente. O ano exacto do pico máximo de produção de petróleo dependerá muito da procura futura e não saberemos quando alcançámos o pico senão depois de ter sido atingido. Ocorrerá sem dúvida antes de 2020.

      . Infelizmente, poucos prestaram atenção aos nossos alarmes, ainda que os sinais sejam tão óbvios que até uma galinha cega poderia vê-los. Há 50 anos o mundo consumia 4000 milhões de barris de petróleo por ano e a taxa média de descobrimentos (a porcentagem de novos campos petrolíferos não descobertos antes) era de 30 mil milhões de barris por ano. Hoje consumimos 30 mil milhões de barris por ano e os descobrimentos caíram para 4 mil milhões de barris/ano (v. figura). Isto é importante. A Chevron publicou um anúncio no qual afirma que "O mundo consome dois barris de petróleo por cada barril descoberto. Devemos preocupar-nos?" (Por descobrimento quero dizer só novos campos petrolíferos. Alguns analistas incluem no aumento das reservas o aumento da taxa de recuperação dos campos antigos, mas nós adoptamos o mesmo enfoque da Agência Internacional de Energia, AIE). Se extrapolarmos a taxa declinante de descobrimentos dos últimos 30 anos podemos calcular que serão encontrados aproximadamente 134 mil milhões "novos" de barris de petróleo durante os próximos 30 anos. O mais recente grande descobrimento de campos petrolíferos foi no Mar do Norte (em 1969), que contem uns 60 mil milhões de barris. Em 1999 a produção do Mar do Norte atingiu o pico com 6 mb/d. Nossa extrapolação indica que durante os próximos 30 anos encontraremos novos campos petrolíferos equivalente ao dobro do tamanho do Mar do Norte, um prognóstico muito pessimista, segundo nossos adversários. Mas penso que a indústria petrolífera ficaria extasiada se encontrasse duas novas províncias petrolíferas do tamanho do Mar do Norte.

      O cenário base da AIE de 2004 prevê que em 2030 a procura mundial será de 121 milhões de barris por ano, o que exigirá aumentar a produção em 37 milhões de barris por dia durante os próximos 25 anos, dos quais 25 mb/d deveriam proceder de campos que têm de ser descobertos. Isto significa que teremos de encontrar quatro jazidas de petróleo do tamanho do Mar do Norte. Será isto possível?

      Cada campo petrolífero chega a um ponto de produção máxima, que as tecnologias avançadas podem atrasar ou ampliar, mas não eliminar. A indústria petroleira e a AIE aceitam o facto de que a produção total dos campos petrolíferos está em declínio. Segundo a ExxonMobil, a porcentagem de diminuição da produção está entre 4 e 6% ao ano. A produção actual é de 84 milhões de barris por dia, pelo que no próximo ano de todos os campos actuais serão extraídos 80 milhões de barris por dia. Tendo em conta o aumento esperado do PIB mundial, dentro de um ano a procura de petróleo ascenderá a 85,5 mb/d, pelo que deverá aumentar a capacidade nova de extracção em 1,5 mb/dia mais outros 4 mb/d, ou seja, 5,5 mb/d. Dentro de dois anos precisaremos extrair em novos campos 11 mb/d e em 2010 ao menos 25 mb/d. Poderá a indústria proporcioná-los? Se estendermos a taxa de diminuição dos campos existentes para 2030 e aceitarmos o cenário base da AIE (a procura mundial ascenderá a 121 mb/d), então "necessitaremos uma nova produção da ordem de 10 novas Arábias Sauditas". Alguns poderiam dizer que se trata do dia do juízo final, mas não sou eu faz tais prognósticos e sim Sadad Al Husseini, até há pouco vice-director da Saudi Aramco, a maior companhia petrolífera do mundo.

      Excluindo os campos petrolíferos de águas marinhas profundas, a extracção está a diminuir em 54 dos 65 grandes países produtores de petróleo do mundo. A Indonésia, país membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), não só não pode produzir suficiente petróleo para cobrir sua quota de produção como já nem sequer poder extrair o suficiente para atender ao seu consumo interno. A Indonésia hoje é um país importador de petróleo. Dentro de seis anos, outros cinco países atingirão o pico. Só uns poucos países — Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Casaquistão e Bolívia — têm potencial para extrair mais petróleo do que antes. Em 2010, a extracção destes países e dos campos em águas profundas terá que compensar a diminuição em 59 países e o aumento da procura no resto do mundo.

      Podem fazê-lo? Olhemos a Arábia Saudita, que em princípios dos anos 80 produziu 9,6 milhões de barris por dia. Segundo a AIE e a Agência de Informação sobre Energia dos EUA, a Arábia Saudita deverá extrair 22 mb/d em 2030. Mas Sada Al Husseini afirma que "os prognósticos de futuros abastecimentos de petróleo do governo estadunidense contêm uma sobrestimação perigosa". O campo petrolífero saudita de Ghawar, o maior do mundo, está em declínio. A Saudi Aramco diz que a produção pode aumentar para 12,5 mb/d em 2015. Projectam um novo oleoduto com uma capacidade de 2,5 mb/d, pelo que é previsível que cheguem a extrair 12,5 mb/d, mas não há qualquer sinal de que pretendem atingir os 22 mb/d.

      O Iraque, que em 1979 produziu 3,4 mb/d, alega ter reservas de 112 mil milhões de barris, mas a ASPO (e outros analistas) pensam que um terço das reservas são fictícias, "barris polícos". Numa reunião em Londres foi-me (em privado, por uma pessoa que conhece bem a situação) que as reservas iraquianas disponíveis totalizam 46 mil milhões de barris. Se for assim, será difícil que o Iraque chegue ao curto prazo aos seus níveis anteriores de extracção. É o momento de perguntar: Pode o Oriente Próximo voltar a extrair ao ritmo dos anos 70?

      Muitos países do mundo são muito pobres. Seria necessário duplicar o PIB mundial para conseguir algum tipo de vida decente para as pessoas desses países. Os exemplos da Suécia e da China indicam que, se seguirem as pautas de desenvolvimento económico anterior, para duplicar o PIB haveria que duplicar a produção mundial de petróleo. Mas isto pode ser feito? E pode o planeta tolerar o aumento das emissões de CO2?

      Os Estados Unidos, o país mais rico do mundo, têm 5% da população mundial e consomem 25% do petróleo. É tempo de discutir o que os EUA devem fazer para reduzir o consumo, e rapidamente. Em Fevereiro de 2005 um relatório do Departamento de Energia dos EUA (Peaking of World Oil Production: Impacts, Mitigation, and Risk Management, o chamado relatório Hirsch) argumentou que "o pico mundial do petróleo representa um problema com uma gravidade sem precedente. Os riscos políticos, económicos e sociais são enormes. A prevenção prudente de riscos exige uma atenção urgente uma acção imediata". Qualquer programa sério iniciado hoje tardará 20 anos para dar resultados.

      Os animais que enfrentam a escassez de alimentos têm pouco tempo para adaptar-se e geralmente as suas populações reduzem-se. Alguns acreditam que os seres humanos enfrentarão uma situação semelhante. Não posso aceitar. Como seres humanos podemos pensar e creio que podemos encontrar soluções. O caminho estará cheio de obstáculos e muitas pessoas sofrerão, mas quando chegarmos ao fim do percurso a sociedade deverá ser sustentável. Não será possível percorrer este caminho sem usar parte das reservas existentes de combustíveis fósseis, mas poderemos fazê-lo de modo a que tenham um impacto mínimo sobre o planeta. Teríamos que haver começado há pelo menos 10 anos atrás. Por isso não podemos esperar mais, ou os golpes e os buracos no caminho poderiam ser devastadores.

      [*] Professor de física da Universidad de Uppsala, Suécia, e presidente da Association for Study of Peak Oil and Gas (ASPO). aleklett@...

      O original encontra-se em
      http://www.nodo50.org/worldwatch/ww/pdf/oil.pdf

      Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

      Fuente: www.resisitr.info , 16 de abril de 2006.


      Geografía Económica

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